Thursday, March 08, 2007

Porque Eu

(Quill Pen - Page Piland)

Já quis ser
Hermético. Fechado.
Monossilábico.
Todavia, somente fiquei
Limitado e engradado, em mim.
Quase morri.
O ser humano
Tem como uma de suas
Diferenças dos animais
A comunicação inteligente.
Por isso falo tanto
E muito me explico
Buscando comunicar.
Razão porque fugir
Do concretismo.
Difícil de se ver,
De se ler,
De se ouvir
E de se compreender.
Feliz, ou infelizmente,
Tenho assuntos
Demais para dizer.
E ultimamente
Abriu-se-me
A madre.
Tenho dado à luz
A três por quatro
E não vou perder
Meu estro
E nem menosprezar
Minha verve.
Poemas vão nascendo,
Mensagens vão chegando
E vou entregando.
Boas ou más,
Plenas de poesia ou não,
De conteúdo ou não,
De atrativos ou não,
São minhas criaturas,
Minhas caras
E vivências.
Gostaria, mesmo
Não sendo unanimidade,
De que pelo menos
O povo me apreciasse,
Favoravelmente.
Estaria, desse modo,
Justificado porque sim.
Por que o poeta.
Porque eu.

Goiânia - 06/02/04

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