Friday, March 09, 2007

Os Flexíveis


Lado a lado
O jatobá e o bambu.
Tão semelhantes e tão próximos,
Tão vegetais e tão distantes.
Ambos a exaltar e a ressaltar
Com as recíprocas aparências,
Ante nossos olhos:
Qualidades e defeitos.
A dicotiledônea: Ereta,
Frondosa e forte.
Anunciando sua madeira,
Sua sombra, sua beleza,
Seus produtos e essências.
A monocotiledônea: Leveza
A balançar de um lado
Para outro, singela
E discreta.
Nesta, depreendem-se
As fragilidades e as
Parcas utilidades:
Seja na construção civil,
Sejam nos brotos comestíveis
Ou seja na flexibiidade
Dos colmos ocos.
Veio, porém, a procela:
Sopraram ventos e furações.
O jatobá foi desgalhado
E arrancado do solo,
Apesar de suas fortes raízes.
O bambu experimentou
As mesmas condições
Atmosféricas,
Mas, seus caules
Permaneceram de pé.
Assim são as pessoas:
As inflexíveis e as flexíveis.
As primeiras se quebram
E se acabam com as tempestades
E embates da vida.
Mas, as flexíveis
Se inclinam com os ventos,
Se deitam com o seu perpassar
E, novamente, se levantam para viver.
Permanecem firmadas nas frágeis,
Infinitas e verdadeiras raízes.
No antigo chão. Nas mesmas crenças.
Nos mesmos e intransferíveis valores.
Nas mesmas referências de vida
E no mesmo absoluto ser: Deus.

Goiânia - 10/02/04

1 Comments:

At 11:46 AM, Anonymous Anonymous said...

Good post.

 

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