A Morte Da Morte
ILegalista
Não é aquele
Que lega a lista,
Mas, o que se alista
Nas hostes e letra da lei.
Que se enquadra nas quadras,
Nos arcabouços e nos detalhes
Da lei escrita que reza,
Mais do que preceitua.
Que estabelece,
Mais do que insinua.
Da lei que vigia
E que policia.
II
Mas, quem é este que?
Ouço das duras pedras,
Das águas correntes
E dos tecidos vivos.
Das ironias dos infenos
E em meio à voragem escuto:
Então, há, por aí, alguém
Que a lei cumpre perfeitamente?
Qual lei? De trânsito?
De boa vizinhança?
De qual, de quem ou de cujos?
Conversa, Jaú! Deixa dessa, sêo Zé!
Olha o olho do guarda!
III
Cumprimos leis
Pela força da lei
Que nos força à força.
Que impôe impostos.
Que leva à cadeia.
Que obriga, vigia,
Limita e cerceia.
Lei que amola, mata,
Maltrata e desapropia.
Leis humanas, morais, éticas
E espirituais para os incréus.
Para os que demandam aos céus.
Para os que buscam seus labéus.
IV
A lei é dura
Para os de fora
E boa para os de dentro.
Sim. Como não? Até onde?
Quam conseguirá cumpri-la?
Talvez o machado do verdugo
Nos livre de alguma condenação.
Porém quem nos livrará
Daquilo que não?
Daí porque veio Cristo:
Para cumpri-la morrendo
E para matá-la ressurgindo
E revivendo.
V
Contextualizada,
A lei é uma só.
Seja dos homens ou de Deus.
Transgredindo-se uma
Transgrediu-se a outra.
Daí porque estamos condenados:
Pois entendemos que teremos
De cumpri-las perfeitamente
Para chegarmos aos céus.
Por isso, Cristo morreu
Pela lei dos homens
E matou a lei da morte
Quando ressuscitou.
VI
Chegamos ao nó Górdio.
Para cortá-lo basta
Usarmos a espada da fé.
Se Cristo morreu por nós,
Estamos livres.
Não da lei da carne,
Pois somos carne;
Mas, da lei da morte.
Quando essa vier nos
Executar, matará a carne.
Mas, não a vida. Não a vida
Verdadeira recebida de Jesus.
Que é ele mesmo: Vida além da vida.
Goiânia - 25/02/04

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