Filhos
Cientistas sociais
E não sei quantos outros
Têm lá suas razões.
É fácil de comprovar
Seus doutorados ao vivo
No nosso próprio terreiro.
O primeiro filho,
Aquele que nos introduz
Na arte da patenidade,
É, também, nosso professor,
Nosso aluno e nossa vítima.
Tanto fazemos e influímos,
Que a criança, ao se espelhar
No cônjuge do mesmo sexo,
Torna-se dele, cópia
Em papel carbono.
Peço licença aos Hegelianos
Para chamá-lo de TESE,
Porque a comprova.
O segundo rebento
Nasce, por uma questão de
Acomodação, um contestador.
Será diferente. Lutador
De gênio indomável.
Não tenho a menos dúvida
Em nomeá-lo ANTÍTESE.
Já o terceiro,
Creio que ao chegar
Dá uma geral no ambiente
E assume a legítima
Posição de sentar-se no muro
E agradar a todos.
Amigo, conhece os caminhos
E os domésticos espinhos.
Coerentemente é a soma
Positiva e política dos irmãos.
Seu nome é SÍNTESE.
O quarto, se houver,
Esse, diante de tantos
Professores, exemplos,
E óbices de toda sorte,
Revelar-se-á um Anarquista.
Será a pessoa que,
Por todos os títulos,
Direitos e heranças,
Adotou a atitude
Límpida e lógica
De alguém que não gosta de leis,
Detesta regras e outras peias.
O anarquismo dele é o nosso.
Aquele que um dia, apenas, sonhamos;
Ele, o nosso filho, pelo menos, o será.
Que seja por alguns momentos.
Mas, o será.
Goiânia - 04/02/04

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