Porque Eu Canto
Partir,Sem partir.
Dizer adeus,
Mas permanecer.
Porque eu sou
O carro de bois:
Quanto mais pesado
Mais afiado é o meu canto.
Morrer,
No entanto, viver,
Mesmo morrendo
Porque eu sou
O moinho que mói:
Quanto mais repicada a pedra,
Quanto mais lenta a mó
Tanto melhor o pó.
Chorar,
Sem verter
Uma lágrima sequer.
Porque eu tenho
A roda d'água
Que gira em mim.
Ademais,
Em todo o tempo,
Sou e cada vez mais sou
A roda, o moinho
E o carro de bois.
Quanto mais apertado,
Melhor é o meu canto.
Quanto mais padeço,
Mais permaneço.
Quanto mais desassossegado
Tanto melhor é o meu verso.
Porque minha poesia
Tem propósitos eternos
E meus cantares
São trinados existenciais
E gorjeios do ser
Que existe em mim.
Por isso eu canto.
Canto e não choro.
Goiânia - 02/08/03

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