Quem de Direito e de Fato
Pelos meus setenta anos
Esses momentos, essa festa, nós.
Sob certo aspecto,
O gáudio ao vencedor do tempo,
Ao herói que, inteiro, adentra
Ao anfiteatro para os louros
E as ovações.
Impõe-se-me
Nesses instantes de alegria
O correto pensamento
De que não sou ninguém
E nem deveria estar aqui
Como se merecedor
De tamanha pajelança
E de tantos saracoteios,
Por nada.
Ocorre-se-me
Que a festa está
Dirigida à consequência
E jamais à causa.
Podem acreditar
Não dependeu de mim
Estar aqui, hoje e agora.
Apesar de que eu seja, como todos,
O espermatozóide que deu certo
E o grande vencedor
A festa não deve ser para mim,
Nem para meus pais.
Sou a oportunidade incompreensível
E a chance inescrutável
Que o Criador determinou para a vida.
A festa, a solenidade do momento,
A grandeza é para Ele,
O meu Deus.
Aquele que, realmente, fez-me
No seio de uma linda família,
No meio de um grande povo,
Nos braços amigos de tantos
E na graça repetitiva, presente,
E misericordiosamente supina
De Nosso Senhor Jesus Cristo.
Goiânia - Outubro/2003


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