A Propósito dessa Comemoração
Para Marizete e Adolfo Martins
Nas bodas de trinta e cinco anos,
Com carinho, Josué Mota. 04/12/03
Três substantivos abstratos
São fundamentais
Para se viver.
A congruência deles
No nosso íntimo
Leva-nos cada vez mais perto
Dos nossos objetivos.
Paulo, o apóstolo, os extraiu
E os ordenou com maestria
Alinhavando-os, entre si,
No mapa qualitativo
De nossa peregrinação.
O primeiro deles é a Fé.
E ninguém duvide que esse vocábulo,
Posto que pequeno, guarde em si mesmo
Expressões polarizadoras e explosivas.
Pela fé nas narrativas cremos que os portugueses
Descobriram o Brasil e que sejamos seus filhos.
Pela fé acreditamos no átomo, que não vemos,
Nas termonucleares e nos infernos de Hiroshima e Nagasaki.
E, ainda, pela fé entendemos
Que a mecânica universal, incluída a terra,
Decorre dentro de uma ordem científica
Estabelecida pela vontade do Criador.
A fé abre os portais da esperança,
O segundo substantivo abstrato.
A fé nos conduz aos sonhos
Formulados enquanto ainda não.
E o tempo, enquanto-ainda-não,
Se chama, simplesmente, esperança.
Fantasiamos, criamos, nos encorajamos
E partimos movidos pelo combustível misto,
Sincrético e divino: Fé e Esperança.
Inadmissível partirmos sem fé,
Impossível prosseguirmos sem esperança.
Fé e esperança são, pois, qualidades íntimas
E binômios de qualquer projeto de vida.
E o terceiro é o Amor.
Poderia calar nesse ponto
Porque dele todo mundo entende.
Mas o amor que vejo é o amor maior.
Aquele além das pessoas e das coisas.
E mais ainda, muito mais, é aquele
Em todos nossos projetos, nossos sonhos,
Nossos arranques, nossas crises, nossas chegadas.
Aquele que apascentou e viabilizou o momento impossível
Mesmo que nós o ignorássemos e dele não soubéssemos.
Sim aquele amor além do amor que temos e que cremos,
Ao qual, alguns chamam de Deus e outros chamam de nada.

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