11 de Setembro
Haveria de haver essa data,Relevantemente, marcada
Nos nossos dias e nas nossas almas.
Como refugá-la, como olvidá-la,
Como esquecê-la ou como não sabê-la!
Foi aquele dia, aquela hora,
E aqueles momentos
Em que todos choramos,
Simultâneos, solidários e impotentes.
Lágrimas amargas, escancaradas e misteriosas
Cujo travor apegou-se ao nosso palato
Emudecendo-nos, perdidos e abobalhados,
Entre a realidade e a fantasia.
Na ubiquidade televisiva,
Por todos seus canais, ao vivo,
As agressões ao World Trade Center.
As pulverizações das torres gemelares
E a população do Planeta atônita.
Como nos jornais de cinema, de ontem,
De cinquenta anos atrás: As imagens reais,
De fatos verdadeiros, testemunhas da história.
Com a avassaladora parafernália eletrônica
A alimentar nossa expectante participação:
A repetir, gravar, congelar e reenfocar
As visões, os fantasmas, as fantasias da dura realidade,
Dos analistas, dos profetas e do fim do mundo.
Ali, na nossa frente, o pesadelo,
O inesperado, a hecatombe
De tragédias sobre tragédias,
Repetindo em grau insuportável,
O gerúndio e o supino da maldade,
Extravasada e manifesta com tanta dor
Desde o pequenino ao velho cidadão.
Desde o cidadão anônimo aos filhos da Pátria.
Desde os filhos dos povos, dos povos e das gentes.
Das gentes e das gentalhas. Das gentalhas e dos sem direitos.
Dos sem direitos e dos sem deveres. Dos sem deveres e dos devedores.
Dos devedores e dos seus senhores. Dos seus senhores e das suas maldades.
Das suas maldade e das nossas calamidades. Das nossas calamidades
E das calamidades nossas. Nossas, muito nossas:
Ca-la-mi-da-des! Ca-la-mi-da-des... Oh, Deus!
Goiânia - 11/09/2001

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