Thursday, August 24, 2006

O Ser Que É

Se Deus existe
Porque não aparece
Para que todos
O vejamos.
Essa é, talvez, a pergunta
Mais atravessada na garganta
De cada um de nós.
Se acaso, Ele,
Condescendentemente,
Nos atendesse, como seria
Ou como O veríamos.
Pelo que se diz,
Ou que se sabe
É espírito
E assim não teria
Aparência física.
Desse modo, se adquirisse
Uma forma qualquer
Já não seria Ele
Na sua essência
E continuaríamos
Querendo conhecê-Lo.
O Criador é muitíssimo
Grande e assaz poderosíssimo,
A tal ponto de alguns
Chamarem-nO: Pancreator.
Confundem-nO até com
A Natureza ou com o Universo
E, entretanto, Ele tem,
Por lógica, de transcendê-los
Porque: o criador é maior que a criatura.
Então, um Ser de dimensões desconhecidas,
De incomensuráveis poderes e de saberes infinitos
Não poderia ser visto,
Nem Se submeteria
Aos nossos caprichos.
Rest-nos depreender
Pelo que vemos ao
Nosso derredor,
Inclusive no firmamento,
Que Ele exista.
Também entendemos
Que Ele não seja o sol,
Nem a natureza e nem
A água, apesar de que,
Comparações possíveis
E até mesmo metáforas cabíveis.
Por fim, mas não por derradeiro,
Resta-nos o homem Jesus Cristo
Que no seu tempo se disse Deus.
Este a gente pode aproximar-se d'Ele.
Examiná-lO. Dissecá-lO. E entendê-lO.
Foi Ele mesmo quem disse:
"Quem a mim vê, vê o Pai."

Goiânia - 30/12/03

Tuesday, August 15, 2006

11 de Setembro

Haveria de haver essa data,
Relevantemente, marcada
Nos nossos dias e nas nossas almas.
Como refugá-la, como olvidá-la,
Como esquecê-la ou como não sabê-la!
Foi aquele dia, aquela hora,
E aqueles momentos
Em que todos choramos,
Simultâneos, solidários e impotentes.
Lágrimas amargas, escancaradas e misteriosas
Cujo travor apegou-se ao nosso palato
Emudecendo-nos, perdidos e abobalhados,
Entre a realidade e a fantasia.
Na ubiquidade televisiva,
Por todos seus canais, ao vivo,
As agressões ao World Trade Center.
As pulverizações das torres gemelares
E a população do Planeta atônita.
Como nos jornais de cinema, de ontem,
De cinquenta anos atrás: As imagens reais,
De fatos verdadeiros, testemunhas da história.
Com a avassaladora parafernália eletrônica
A alimentar nossa expectante participação:
A repetir, gravar, congelar e reenfocar
As visões, os fantasmas, as fantasias da dura realidade,
Dos analistas, dos profetas e do fim do mundo.
Ali, na nossa frente, o pesadelo,
O inesperado, a hecatombe
De tragédias sobre tragédias,
Repetindo em grau insuportável,
O gerúndio e o supino da maldade,
Extravasada e manifesta com tanta dor
Desde o pequenino ao velho cidadão.
Desde o cidadão anônimo aos filhos da Pátria.
Desde os filhos dos povos, dos povos e das gentes.
Das gentes e das gentalhas. Das gentalhas e dos sem direitos.
Dos sem direitos e dos sem deveres. Dos sem deveres e dos devedores.
Dos devedores e dos seus senhores. Dos seus senhores e das suas maldades.
Das suas maldade e das nossas calamidades. Das nossas calamidades
E das calamidades nossas. Nossas, muito nossas:
Ca-la-mi-da-des! Ca-la-mi-da-des... Oh, Deus!

Goiânia - 11/09/2001

Quem de Direito e de Fato

Pelos meus setenta anos
Esses momentos, essa festa, nós.
Sob certo aspecto,
O gáudio ao vencedor do tempo,
Ao herói que, inteiro, adentra
Ao anfiteatro para os louros
E as ovações.
Impõe-se-me
Nesses instantes de alegria
O correto pensamento
De que não sou ninguém
E nem deveria estar aqui
Como se merecedor
De tamanha pajelança
E de tantos saracoteios,
Por nada.
Ocorre-se-me
Que a festa está
Dirigida à consequência
E jamais à causa.
Podem acreditar
Não dependeu de mim
Estar aqui, hoje e agora.
Apesar de que eu seja, como todos,
O espermatozóide que deu certo
E o grande vencedor
A festa não deve ser para mim,
Nem para meus pais.
Sou a oportunidade incompreensível
E a chance inescrutável
Que o Criador determinou para a vida.
A festa, a solenidade do momento,
A grandeza é para Ele,
O meu Deus.
Aquele que, realmente, fez-me
No seio de uma linda família,
No meio de um grande povo,
Nos braços amigos de tantos
E na graça repetitiva, presente,
E misericordiosamente supina
De Nosso Senhor Jesus Cristo.

Goiânia - Outubro/2003

Thursday, August 03, 2006

A Propósito dessa Comemoração

Para Marizete e Adolfo Martins
Nas bodas de trinta e cinco anos,
Com carinho, Josué Mota. 04/12/03

Três substantivos abstratos
São fundamentais
Para se viver.
A congruência deles
No nosso íntimo
Leva-nos cada vez mais perto
Dos nossos objetivos.
Paulo, o apóstolo, os extraiu
E os ordenou com maestria
Alinhavando-os, entre si,
No mapa qualitativo
De nossa peregrinação.

O primeiro deles é a Fé.
E ninguém duvide que esse vocábulo,
Posto que pequeno, guarde em si mesmo
Expressões polarizadoras e explosivas.
Pela fé nas narrativas cremos que os portugueses
Descobriram o Brasil e que sejamos seus filhos.
Pela fé acreditamos no átomo, que não vemos,
Nas termonucleares e nos infernos de Hiroshima e Nagasaki.
E, ainda, pela fé entendemos
Que a mecânica universal, incluída a terra,
Decorre dentro de uma ordem científica
Estabelecida pela vontade do Criador.

A fé abre os portais da esperança,
O segundo substantivo abstrato.
A fé nos conduz aos sonhos
Formulados enquanto ainda não.
E o tempo, enquanto-ainda-não,
Se chama, simplesmente, esperança.
Fantasiamos, criamos, nos encorajamos
E partimos movidos pelo combustível misto,
Sincrético e divino: Fé e Esperança.
Inadmissível partirmos sem fé,
Impossível prosseguirmos sem esperança.
Fé e esperança são, pois, qualidades íntimas
E binômios de qualquer projeto de vida.

E o terceiro é o Amor.
Poderia calar nesse ponto
Porque dele todo mundo entende.
Mas o amor que vejo é o amor maior.
Aquele além das pessoas e das coisas.
E mais ainda, muito mais, é aquele
Em todos nossos projetos, nossos sonhos,
Nossos arranques, nossas crises, nossas chegadas.
Aquele que apascentou e viabilizou o momento impossível
Mesmo que nós o ignorássemos e dele não soubéssemos.
Sim aquele amor além do amor que temos e que cremos,
Ao qual, alguns chamam de Deus e outros chamam de nada.

As Nossas Castanheiras


Às nossas Castanheiras,
Pelo dia das mães.
Goiânia, 09/05/04.
Josué Mota

Há muito descansamos
Nas dimensões humanas
E sobre-humanas de ribeiros;
Em cujas margens seculares
Nos abeberamos por águas
Graciosas, cantantes,
Ruidosas e refrescantes.
Águas doces
Nascidas das rochas
Entremeadas pelas profundas raízes
De ancestrais castanheiros.
Nos associamos em família
E nos intrometemos na
Genérica e prazenteira
Harmonia pela força
Irrecusável do amor.
Constituímos, hoje,
Uma comunidade especial
Vivendo à sombra
Desse imenso castanhal
E sob as frondes
Bonançosas de nossas
Próprias companheiras,
As nossas Castanheiras.
Participamos da natureza
E de suas naturezas:
Às vezes, parasitários,
Quais pássaros e outras,
Quais corós, predadores
De suas castanhas.
Às vezes, fecundantes
Zangãos, outras vezes,
Casuais plantadores
Que se alimentam
De seus doces mesocarpos,
Epicarpos e endocarpos.
Somos seus e elas
São nossas respectivas
E recíprocas companheiras.
Mães de nossos filhos,
Nossas filhas
E, também, nossas mães
Tanto pelos cuidados maternais
Quanto pelas divinas vocações.
Hoje, dia especial,
Dedicado à mulher-mãe,
Gritemos nossos vivas
Às nossas Castanheiras;
Saudemo-las e exaltemo-las
Pelo precioso exercício
Desse misterioso e divino
Dom de Deus.