Saturday, September 15, 2007

Milagro


Monday, August 27, 2007

DOMINUS PROVIDEBIT

Tuesday, April 24, 2007

Membranas

(Embrace - Stephen Nordlinger)
Não sei
Se herança
Ou se mania:
A gente ao comprar
Deseja o jornal,
A revista e o livro
Que, ainda,
Não foram abertos
E manuseados.
O carro há de
Ser direto
Do concessionário.
Claro que
Lemos os jornais,
Vemos as revistas
E adentramos
Aos livros
Ainda que velhos.
E, mesmo, adquirimos
Carro de segunda mão.
Interessante notar, que
A mulher, às vezes,
Vem de segunda,
Mas, normalmente,
A gente a quisera
Zero quilômetro.
Não sei por que
Na escala zoológica,
Passados tantos e
Quantos milênios
De evolução,
Somente no ser
Humano, ainda, hoje,
Existem e persistem
Tais anéis, velamentos
Ou membranas virginais.

Goiânia - 17/02/04

Wednesday, April 11, 2007

Imagem e Semelhança

(Alone - Daniel Séguin)

Ficar a sós
É o primeiro passo
Para poetar.
Depois de estar sozinho,
Encontrar um recanto
De paz nesse caos
Que vivemos
E o possível
E necessário ambiente
Para a meditação.
Mesmo que seja
Um pseudo isolamento,
Dentro de um carro,
Ao volante, esperando.
Enquanto isso
Escrever.
De repente,
Entramos em nós mesmos.
Assim, como o fazemos
No quadro holográfico
Ao fundirmos pontos reais
E enxergarmos imagens virtuais
De um contexto além.
Então, fechamos as portas
Do nosso eu externo,
De vez, e adentramos
Ao ato criativo,
Exalando cheiros
Maus ou bons.
Criações recém-nascidas,
Veiculadas nos vieses
De nossas canetas;
Estendidas nos nossos
Cadernos e escorridas
Do nosso sentir
Particular e geral.
Humano e animal.
Ateu e cristão.
Criando e recriando,
Como fomos criados:
À imagem nossa
E à nossa
Semelhança.

Goiânia - 12/02/04

Monday, March 19, 2007

Rumos

(Ribirth - Osvaldo Gonzalez)
Na Terra,
A chuva, cada ano,
Atrasa mais.
O frio, cada inverno,
Fica mais quente
E o calor, cada verão,
Aumenta mais.
Nessa toada, quem sabe,
Não vai o planeta,
Revirar de vez,
Invertendo os pólos.
Ocorreira, então,
A propalada glaciação.
Certamente, se isso
Acontecesse, a terra
Voltaria ao
Invés de ir.
Giraria ao reverso
Em torno do sol.
A civilização seria
Destruída pelo cataclismo
E, não sei por que,
Mas, deveria renascer.
Certamente, diferente.
Uma nova oportunidade,
Também, de mudar
Tudo de vez.
Se essa revirada vier
A acontecer, eu creio.
Se não, não creio.
Porque não creio
Que a humanidade,
Por si mesma,
Espontaneamente,
Vá mudar algo,
Em seus rumos,
Algum dia.

Goiânia - 12/02/04

Gabolices


Veja o contador
De vantagens:
Até seus defeitos,
Seus males e
Misérias outras
São narradas
Como especiais.
Usando a maestria
Do suspense e do mistério
Consegue ressaltar detalhes
E dar brilho ao corriqueiro.
Seus defluxos e lambalgias
São histórias mirabolantes,
Heranças corretas
E inequívocas.
Se assim e assado
São os males comuns,
Quanto mais não serão
Ressaltadas aquelas doenças crônicas.
Mormente, diga-se de passagem,
Trombeteiam as vitórias,
Enaltecem os bens conquistados,
Relatam os causos nebulosos
Da própria família com orgulho
E referem-se aos pecados dos demais
Como infames, abjetos e imperdoáveis.
Gabam-se, até mesmo,
De dobrarem a vontade divina
E de mudarem o prórpio destino.
Não obstante, tanto brilho,
Competência e aptidão
Vivem o ledo engano
De enganarem-se
A si mesmos;
Porque, geralmente, aos outros,
Não envolvem, não enganam
E nem ludibriam
Com tais exageros.
Os gabolas são apenas, ou tão somente:
Frajolas dos discursos,
Reis das bazófias,
Divertimentos públicos
E arapucas para
Incautos.
Mas, estes
Não caem no logro,
Se oferecem.

Goiânia - 11/02/04

Friday, March 09, 2007

Os Flexíveis


Lado a lado
O jatobá e o bambu.
Tão semelhantes e tão próximos,
Tão vegetais e tão distantes.
Ambos a exaltar e a ressaltar
Com as recíprocas aparências,
Ante nossos olhos:
Qualidades e defeitos.
A dicotiledônea: Ereta,
Frondosa e forte.
Anunciando sua madeira,
Sua sombra, sua beleza,
Seus produtos e essências.
A monocotiledônea: Leveza
A balançar de um lado
Para outro, singela
E discreta.
Nesta, depreendem-se
As fragilidades e as
Parcas utilidades:
Seja na construção civil,
Sejam nos brotos comestíveis
Ou seja na flexibiidade
Dos colmos ocos.
Veio, porém, a procela:
Sopraram ventos e furações.
O jatobá foi desgalhado
E arrancado do solo,
Apesar de suas fortes raízes.
O bambu experimentou
As mesmas condições
Atmosféricas,
Mas, seus caules
Permaneceram de pé.
Assim são as pessoas:
As inflexíveis e as flexíveis.
As primeiras se quebram
E se acabam com as tempestades
E embates da vida.
Mas, as flexíveis
Se inclinam com os ventos,
Se deitam com o seu perpassar
E, novamente, se levantam para viver.
Permanecem firmadas nas frágeis,
Infinitas e verdadeiras raízes.
No antigo chão. Nas mesmas crenças.
Nos mesmos e intransferíveis valores.
Nas mesmas referências de vida
E no mesmo absoluto ser: Deus.

Goiânia - 10/02/04

Thursday, March 08, 2007

Leão Íntimo

(Aesop Series: The Lion and the Mouse by Arlene Graston)

Sinto,
Às vezes,
Qua há um leão
Rugindo dentro
De mim.
Porém,
Quando
Se manifesta
É um
Simples rato.
Seus rugidos
Ecoam nos meus
Mais escondidos,
Porém, são
Chiados o que
Ouso emitir.
Quisera
Pelo menos
A sagacidadde
Dos camundongos
Que vejo nas
Historietas televisivas.
Porquanto, mesmo
Não sendo o rei
Dos animais,
Pelo menos
Seria o esperto
Ratinho, no qual,
A inteligência
Faz toda
Diferença.

Goiânia - 10/02/04

Filhos


Cientistas sociais
E não sei quantos outros
Têm lá suas razões.
É fácil de comprovar
Seus doutorados ao vivo
No nosso próprio terreiro.
O primeiro filho,
Aquele que nos introduz
Na arte da patenidade,
É, também, nosso professor,
Nosso aluno e nossa vítima.
Tanto fazemos e influímos,
Que a criança, ao se espelhar
No cônjuge do mesmo sexo,
Torna-se dele, cópia
Em papel carbono.
Peço licença aos Hegelianos
Para chamá-lo de TESE,
Porque a comprova.
O segundo rebento
Nasce, por uma questão de
Acomodação, um contestador.
Será diferente. Lutador
De gênio indomável.
Não tenho a menos dúvida
Em nomeá-lo ANTÍTESE.
Já o terceiro,
Creio que ao chegar
Dá uma geral no ambiente
E assume a legítima
Posição de sentar-se no muro
E agradar a todos.
Amigo, conhece os caminhos
E os domésticos espinhos.
Coerentemente é a soma
Positiva e política dos irmãos.
Seu nome é SÍNTESE.
O quarto, se houver,
Esse, diante de tantos
Professores, exemplos,
E óbices de toda sorte,
Revelar-se-á um Anarquista.
Será a pessoa que,
Por todos os títulos,
Direitos e heranças,
Adotou a atitude
Límpida e lógica
De alguém que não gosta de leis,
Detesta regras e outras peias.
O anarquismo dele é o nosso.
Aquele que um dia, apenas, sonhamos;
Ele, o nosso filho, pelo menos, o será.
Que seja por alguns momentos.
Mas, o será.

Goiânia - 04/02/04

Porque Eu

(Quill Pen - Page Piland)

Já quis ser
Hermético. Fechado.
Monossilábico.
Todavia, somente fiquei
Limitado e engradado, em mim.
Quase morri.
O ser humano
Tem como uma de suas
Diferenças dos animais
A comunicação inteligente.
Por isso falo tanto
E muito me explico
Buscando comunicar.
Razão porque fugir
Do concretismo.
Difícil de se ver,
De se ler,
De se ouvir
E de se compreender.
Feliz, ou infelizmente,
Tenho assuntos
Demais para dizer.
E ultimamente
Abriu-se-me
A madre.
Tenho dado à luz
A três por quatro
E não vou perder
Meu estro
E nem menosprezar
Minha verve.
Poemas vão nascendo,
Mensagens vão chegando
E vou entregando.
Boas ou más,
Plenas de poesia ou não,
De conteúdo ou não,
De atrativos ou não,
São minhas criaturas,
Minhas caras
E vivências.
Gostaria, mesmo
Não sendo unanimidade,
De que pelo menos
O povo me apreciasse,
Favoravelmente.
Estaria, desse modo,
Justificado porque sim.
Por que o poeta.
Porque eu.

Goiânia - 06/02/04

Espero

(Embrace - Bronze Sculpture by Michael Speller)

O abraço macio,
Aconchegante e quente
É aquele que dão na gente,
Com amor.
Sem as malícias
Esperadas ou inesperadas,
Introdutoras ou não
Aos preâmbulos do sexo.
Sem a frieza
E o distanciamento
Formal ou protocolar.
Refiro-me àquele abraço
Que não acontece
Por força da circunstância,
Mas pelo amor.
Aquele sentimento
Que transmite seu interesse
E seu desinteresse,
Sem faltar ou sobrar,
Em nada, de amor.
Abraço receptivo,
Caloroso e festivo
Contando p'ra gente
Que temos alguém.
Abraço abraçado, apertado,
Muito mais do que físico.
Transpondo barreiras
Além e aquém da saudade.
Do nosso lar, da nossa casa
E do nosso chão.
Abraços repetitivos
Dos nossos irmãos
E imorredouros
De nossos pais.
De nossos filhos,
De nossos amados
E de nossos amores.
É esse abraço que eu quero.
É esse abraço que há muito espero.
Espero. Espero muito.
Muito espero.
Espero.

Goiânia - 31/01/04

Wednesday, March 07, 2007

Últimas Lições

(Father and son III - 1999 - Andrzej Jackowski)

No começo,
O filho caminha atrás e o pai à frente.
Este desbrava, alimpa e prepara o caminho
Para aquele, imaturo e incauto, passar.
Quando a criança cresce, aos poucos
Corre à frente e assume a dianteira
Crendo-se, então, guia do pai.
O candeeiro, todavia, é o velho.
O experiente deixa o inexperiente
Adiantar-se para avaliar seu desempenho.
De vez em quando, uma admoestação,
Um reparo quanto ao modo de prosseguir
Nas trilhas difíceis da vida.
Um dia, o filho, ao se deparar
Com algumas indecisões ou titubeios
Do ancião, o que antes não reparara,
E sendo, agora, um vencedor,
Resolve assumir posição inversa.
Ele é o maior, o dono e o senhor;
Até mesmo senhor do senhor seu pai.
Então uma palavra impaciente desponta,
Um pré-julgamento ou o julgamento apressado
Do modo, do quanto e dos receios do idoso.
A velocidade da informação do novo
E o contra ponto natural do antigo
Avulta e exacerba a liderança recente
Que começa a cometer exageros.
Calma, filho, paciência, diz o velho:
Ainda sou eu quem vai à frente
Mesmo sendo teu caudatário
E caminhando atrás.
Calma, filho, porque agora,
Certamente, é o momento e a hora
De ministra-lhe as derradeiras aulas
Relativas aos nossos velhíssimos temas.
Evidentes na paciência, no cuidado
E na previdência que recebestes,
Diuturnamente, na tua própria formação.
Calma, filho, ainda precedo-te.
Tenho, ainda, conselhos e admoestações.
Tenho, ainda, regaço para teu choro
E ainda tenho coisas preciosas para te dar,
Basta que disso, ou daquilo necessites.
Calma, porque o meditar
É arsenal suficiente para a nossa real
Necessidade de cairmos em nós mesmos
E de modificarmos nossas atitudes a tempo.
Finalmente, em tudo que suceda, ou que vier
A contecer na vida, o pai é primeiro e o filho é depois.
O caminho nosso é o mesmo, um só, porém seguimos sucedâneos.
O antigo na dianteira, porque ainda é o pai;
Venerável por todos os títulos e trancos.
Que não deseja ser peso, mas o é.
Qua não quer atrapalhar, mas o faz.
E que, todavia, não foge de ministrar as últimas lições
De equilíbio, ânimo, paciência e perdão.
Inegavelmente os mais difíceis atos de amor.

Goiânia - 31/12/03

Friday, March 02, 2007

Para Que Não Confundas

A primeira, a segunda,
E a derradeira
Manifestação de amor
É o respeito.
Aquele respeito que se traduz
Em consideração, deferência
Carinho e cuidado.
Aquele respeito ao objeto amado
Ou objeto do amor,
Seja gente, seja bicho
Ou seja flor.
Aquele respeito ao considerar,
Separar dos demais,
Dar tratamento especial
E santificado.
Se não, não é amor.
Talvez o nome para isso
Que demonstras
Seja dever, obrigação,
Imposição legal,
Social, moral, ou ética.
Mas, não é amor.
Amor não é assim.
Não é mesmo.

Goiânia - 25/10/03

O Alcance Do Amor

(Istanbul Museum of the Ancient Orient, Turkey - Oldest love poem in the world - 2030 B.C.)

Amei-te ao primeiro olhar,
No primeiro momento,
Quando adolescente eras.

Amei-te mulher
Nos fulgores da nossa mocidade,
Nos calores de nossa impetuosidade.

Amei-te ao nascer dos filhos,
Ao perpassar dos anos,
Na lucidez de nossos desenganos.

Amei-te na convivência do dia-a-dia,
Na multiplicidade das nossas perdas,
Na divisibilidade de nossos ganhos.

Amei-te e mais, ainda, amei
No diuturno instante da reconciliação,
No momento do recíproco perdão.

Amei-te vida afora,
E vida afora seguirei amando-te,
Querendo-te e preservando-te.

Amei-te, amo-te e ainda te amarei,
Mesmo quando o presente for passado
E a distância diluir nossa descendência.

Mas, se algum dia no futuro
Me perderes para a execrável morte
Terás meus poemas, meus consolos.

E quanto mais passar o tempo,
Tanto mais eu te amarei,
Na ausência de mim.

Porque meus versos terão mais peso,
Meu poema mais sentido
E, então, verás que muito mais te amarei.

Porém, se, ou quando me faltares;
Se, ou quando me deixares,
Então, muito, muito, muito mais. Além da conta, te amarei.

Goiânia - 18/02/02

A Nossa Flor Seca

Quero oferecer-te esta flor seca
Guardada daquele mesmo ramalhete.
Portadora de mensagem extrínseca
E da nossa existência, bilhete.

Não tendo mais o viço e antigo frescor,
Guardei-a, no entanto, esse tempo todo.
Pelo que foi, pelo que é, pelo amor
Que temos florescente, qual flor do lodo.

Sem fantasias e sons da doce vida,
Vivemos, das refregas, suas labutas
Corpo a corpo, sem descanso, sem guarida.

Em cada dia dessas renhidas lutas,
Um amor, maior que aquele amor nosso,
Cuidou-nos e sei que n'Ele tudo posso.

Goiânia - 09/02/04

Thursday, March 01, 2007

O Silêncio

( "In silenzo nel blu". Óleo sobre tela. Alessandra Rosini. 2006.)

Reclamas tanto
Que não mais
Te dedico
Poemas.
O silêncio,
Não basta?

Goiânia - 06/02/04

Tu

Não é
Porque tu és
Que eu, também, tenha de ser.
Ou porque tu não sejas
Que deixarei de ser.
Não me governas,
Nem és meu sol,
Muito menos, referencial
Para qualquer posição minha.
Não tens poder sobre mim,
Não me diriges,
Nem és meu Deus.
No entanto,
Dependo tanto
De ti.

Goiânia - 05/02/04

Ensejo Contínuo

Ao chegares e ouvires
As palmeiras alegres
E pranzenteiras,
Não te enganes,
Nem te empolgues,
Não o fazem por ti.
É apenas o vento,
E tão simplesmente
Ele.
Nem te impressiones
Com o farfalhar
Das folhas secas
Ou com o seu crepitar
Sob teus pés.
Nada contigo
E ao mesmo tempo, tudo.
Não te festejam,
Tão somente,
Esmigalham-se ruidosas
Quando pisadas.
Assim as fontes,
As cascatas cantantes,
As gotas coruscantes,
Os céus, as estrelas,
Os astros luminosos,
Iluminados ou chamejantes.
Todos exaltam e festejam
Não a ti e nem amim.
Nada se alegra, transmuda-se
Ou se entristece
Contigo ou comigo.
Por lá ou por cá,
Algures ou alhures;
Nada, em momento algum,
Soa ou ressoa comigo,
Contigo ou conosco.
Tudo ao nosso derredor,
Enseja e convida
À exaltação e à glorificação
Do Criador nosso
E de tudo mais.
Necessitamos, por uma
Simples questão de lógica,
De participarmos desse coral imenso,
Entoando cânticos magníficos
E infindáveis de louvor
Ao meu, ao teu,
E ao nosso
Criador

Goiânia - 01/04/04

A Morte Da Morte

I
Legalista
Não é aquele
Que lega a lista,
Mas, o que se alista
Nas hostes e letra da lei.
Que se enquadra nas quadras,
Nos arcabouços e nos detalhes
Da lei escrita que reza,
Mais do que preceitua.
Que estabelece,
Mais do que insinua.
Da lei que vigia
E que policia.

II
Mas, quem é este que?
Ouço das duras pedras,
Das águas correntes
E dos tecidos vivos.
Das ironias dos infenos
E em meio à voragem escuto:
Então, há, por aí, alguém
Que a lei cumpre perfeitamente?
Qual lei? De trânsito?
De boa vizinhança?
De qual, de quem ou de cujos?
Conversa, Jaú! Deixa dessa, sêo Zé!
Olha o olho do guarda!

III
Cumprimos leis
Pela força da lei
Que nos força à força.
Que impôe impostos.
Que leva à cadeia.
Que obriga, vigia,
Limita e cerceia.
Lei que amola, mata,
Maltrata e desapropia.
Leis humanas, morais, éticas
E espirituais para os incréus.
Para os que demandam aos céus.
Para os que buscam seus labéus.

IV
A lei é dura
Para os de fora
E boa para os de dentro.
Sim. Como não? Até onde?
Quam conseguirá cumpri-la?
Talvez o machado do verdugo
Nos livre de alguma condenação.
Porém quem nos livrará
Daquilo que não?
Daí porque veio Cristo:
Para cumpri-la morrendo
E para matá-la ressurgindo
E revivendo.

V
Contextualizada,
A lei é uma só.
Seja dos homens ou de Deus.
Transgredindo-se uma
Transgrediu-se a outra.
Daí porque estamos condenados:
Pois entendemos que teremos
De cumpri-las perfeitamente
Para chegarmos aos céus.
Por isso, Cristo morreu
Pela lei dos homens
E matou a lei da morte
Quando ressuscitou.

VI
Chegamos ao nó Górdio.
Para cortá-lo basta
Usarmos a espada da fé.
Se Cristo morreu por nós,
Estamos livres.
Não da lei da carne,
Pois somos carne;
Mas, da lei da morte.
Quando essa vier nos
Executar, matará a carne.
Mas, não a vida. Não a vida
Verdadeira recebida de Jesus.
Que é ele mesmo: Vida além da vida.

Goiânia - 25/02/04

Olhos Para Ver

(Imagem captada pelo telescópio Hubble - Nebulosa Helix, a 650 anos luz da Terra)

Giro, balanço
E oscilo
Dividido entre
O bem e o mal.
Nem, por isso, sou
Maniqueísta ou Dualista
A ponto de polarizar-me
De um ou de outro lado.
Não se trata disso.
Reconheço, sem duvidar,
Que o criador de tudo
É o mesmo e tem domínio
Absoluto do todo
E de seus detalhes.
Todavia, pelo fato
De sermos inteligentes,
Racionais e emotivos
Podemos fazer nossas
Escolhas e direções.
Incrivelmente, já que temos
Um proprietário ou dono,
Acredito que certamente
Ele não é, e nem seja,
Relapso ou desligado.
Nós que somos tão
Pequeninos, falhos e
Inconstantes sabemos cuidar
Daquilo que é nosso.
Importante ou não:
Até um prego velho,
Encontrado alhures,
Qua a gente vê,
Guarda e aproveita.
Por que Ele,
O supra-sumo da perfeição,
Não cuidaria do Planeta
Com mais atenção, justiça
E amor do que nós o fazemos
Com aquilo que é nosso?
Creio que Ele tenha vontade
Porque o que existe
Foi criado pelo exercício
Dessa vontade.
Também deve ter um propósito
Ou razão para haver
Criado tudo.
Finalmente, não estamos
Abandonados ao léu.
Se Ele tem vontade,
Certamente a exerce, exercerá
Ou a estará exercendo.
Desde sempre. Mas muitos
Não querem ver.

Goiânia - 09/02/04

Memória Imortal

(Salvador Dali's melting clocks)
Uma coisa puxa outra
E acabaram puxando-te
P'ra mim.
Donde viestes
Depois de tanto tempo?
Viestes de longe,
Do limbo, do lanho,
Da dor e da miséria.
Por que,
Ou a que vens?
Se for para
Que me lembre
De ti,
Basta,
Já fizeste
Teu trabalho.
Adeus,
Desapareça
De mim memória
Triste e mortal.
Abaixo
O baixo astral.
Fora a depressão.
Sou pessoa
Sadia e resolvida.
Adeus,
Não voltes mais
Teimosa memória
Que não me
Abandona.
Posso até dizer,
Sem pender
Para o caricato
Cristianismo:
Em nome de Jesus.

08/02/04

Porque Eu Canto

Partir,
Sem partir.
Dizer adeus,
Mas permanecer.
Porque eu sou
O carro de bois:
Quanto mais pesado
Mais afiado é o meu canto.
Morrer,
No entanto, viver,
Mesmo morrendo
Porque eu sou
O moinho que mói:
Quanto mais repicada a pedra,
Quanto mais lenta a mó
Tanto melhor o pó.
Chorar,
Sem verter
Uma lágrima sequer.
Porque eu tenho
A roda d'água
Que gira em mim.
Ademais,
Em todo o tempo,
Sou e cada vez mais sou
A roda, o moinho
E o carro de bois.
Quanto mais apertado,
Melhor é o meu canto.
Quanto mais padeço,
Mais permaneço.
Quanto mais desassossegado
Tanto melhor é o meu verso.
Porque minha poesia
Tem propósitos eternos
E meus cantares
São trinados existenciais
E gorjeios do ser
Que existe em mim.
Por isso eu canto.
Canto e não choro.

Goiânia - 02/08/03

Wednesday, February 28, 2007

Água

Água não é outra coisa senão hydros.
Setenta e três por cento de nossos corpos adultos
E cem por cento de nossas vidas.
Líquido universal: inodoro, insípido, incolor,
Todavia, extremamente saboroso,
Cheiroso e cor de água:
Translúcida e cristalina.
Com ela lavamos nossos corpos
Aliviamos nossa sede e nos hidratamos.
Ela passa pelas vias do nosso dentro
Dessedentando-nos e aliviando-nos.
Absorvida pela pele, mucosas,
Conjuntivas e trato entérico,
Faz o transporte das moléculas,
Dos íons e de seus radicais
Através dos vasos sanguíneos
Entregando-os nos seus endereços.
No retorno traz as cinzas das reações,
Os rejeitos das intoxicações e os dejetos celulares.
É o veículo circulante na condução
E distribuição do oxigênio para o organismo
E da remoção do gás carbônico do catabolismo
Aos pulmões para a hematose quando se purifica
O sangue e se renoa a oxigenção.
Fundamental na limpeza e no controle térmico
Do organismo através dos rins, do fígado, do baço,
Da extensa malha linfática e da pele.
Diluente de enzimas, distribuidora dos hormônios,
Transportadora de humores e dos líquidos cérebro - espinais.
Veículo na emulsão dos ácidos graxos e na absorção das gorduras;
Imprescindível na quebra das cadeias dos polissacarídeos
E na redução e simplificação dos complexos protéicos.
Presente nos suores, nas secreções e nas excreções.
Reguladora da temperatura física na evaporação e na perspiração.
Nos lava, nos limpa, nos transporta e nos reporta
Aos ínfimos detalhes vitais e aos processos inteligentes.
Somos ela e ela é nós. Ela é nós, enquanto gente,
E ela será nós e o-não-nós, no depois, no desmonte:
Ao reger a devolução e a redistribuição para natureza
De seus emprestados e dos surrupiados que trouxera
E veiculara para nossas necessidades e vaidades.
Fechará o ciclo de seu trabalho em cada ser
De modo anônimo, sem esperar, sem pedir, sem exigir;
Ou, ainda mesmo, sem revelar, ou se relevar mais,
Além daquilo que é. Daquilo que seja ou represente: Vida.
Vida, sem no entanto, ser viva, ou vice versa.
Não tem racionalidade e, jamais, dirá que tem.
Ainda que preceda a vida é mera substância inorgânica.
Ainda que inorgânica é fundamenta à vida orgânica.
Mesmo assim, e ainda assim, não é a vida.
Ou seja, a Vida que fez o nosso planeta vivo.
Vida maiúscula com a qual o melhor modo de lidar
É ser humilde e admitir que ela exista e que seja real.
Essa Vida, ou princípio criador, tem muitos nomes,
Mas, prefiro o mais conhecido deles: Deus.

Goiânia - 02/01/04

Friday, September 22, 2006

As Plantas Que Não Extirpareis

(Father and Daughter - Michael Dudok de Wit)

Determinei que as plantas plantadas
Com pintinhas rosadas não fossem arrancadas.
Vieram de ti quando nos descampados as vistes
De mim te lembrastes e as plantinhas comprastes
E mais fizestes porque as sementes chegaram,
Da terra brotaram e as mensagens trouxeram.
Tão simples, tão discretas, tão anônimas
Cresceram esquecidas pelos jardins,
Mas, agora, que estás novamente, lá,
Estas flores trazem-me aquela antiga mensagem
Que veio de ti quando vieram para mim.
De que lembravas, ainda, de teu velho pai,
Aquele que muitíssimo te amando
Nunca soube conquistar-te e prender-te
Definitiva e inarredavelmente .
Mas, talvez, quem sabe
Não recebeste a maior de todas as bênçãos
A coragem para ousar, a disponibilidade para viver
E transcendência ética para assumir.
Disto me orgulho, pois são qualidades minhas,
Entranhadas, herdadas e repassadas para ti.
Vivemos nos labirintos, nos beirais da vida,
Nos limites dos arroubos e fantasias,
Creio que tudo isto herdastes de mim, ou não ?
De qualquer modo temos uma coisa certa:
É tudo dom de Deus assim como a vida,
Porém requer mãos firmes, norte seguro
E destino certo, definido e definitivo.
A gente costuma "dar com os burros n’água",
"Quebrar a cara" e ficar com "cara de tacho".
Mas tudo faz parte do programa da grande aventura
Que a vida tem para nos oferecer
Somente que não podemos errar
Porque as vezes não teremos uma segunda chance.
Então há um risco a correr quando o instante se impõe.
Ah ! Se Colombo não viesse, não chegasse.
Ah ! Se Sabin não pesquisasse e Santos Dumont
Não se atrevesse um pouco mais, olhando mais além.
Existe realmente uma fagulha, uma impulsão ou combustível
Secreto que Deus mistura no nosso mais profundo ser.
Sem essa diferenciação que nos açoda a alma,
Sem esses revérberos que nos fazem enxergar além,
Que seria do mundo, que seria de nós e da civilização?
Há por certo necessidade de agir quando chega o momento
E não podemos ser omissos, covardes e nem nos acomodarmos.
Principalmente devemos ter a límpida noção da deidade.
Deus é o ser mais evidente e presente na natureza,
A criação é antes mais nada uma declaração de sua pessoa.
Não devemos perder de vista também Jesus Cristo
O próprio Deus encarnado e muito menos o Espírito Santo.
Sim não poderemos perder esse Deus vital para nossa na vida.
O resto é coragem e avante ! "Pé na tábua"
Que o anjo do "Senhor se acampa", "O Espírito intercede por nós".
E a graça e a misericórdia nos seguirão até "da vida ao fim".
Feliz aniversário ! Estás ficando velha !
Beijos, abraços, saudades.

Goiânia - 07/11/01

Minha Polka Dot

O título é o nome de uma planta,
Cujas sementes vieram da América,
Espalhadas nos jardins existem tantas,
Incontáveis e em progressão numérica.

As folhas têm o formato de coração,
Verdes e cheias de pintinhas rosadas,
Quais aventais das holandesas de então
A bailar polcas nos jardins e calçadas.

Vê-las remete-me a ti que mas destes,
Contempla-las à saudade e nostalgia,
Pois partistes e vejas o que me fizestes:

Dolorido, porém com muita alegria,
Guardo no coração memória concreta,
De tudo teu, minha Polka dot secreta.

Goiânia - 07/11/01

Thursday, August 24, 2006

O Ser Que É

Se Deus existe
Porque não aparece
Para que todos
O vejamos.
Essa é, talvez, a pergunta
Mais atravessada na garganta
De cada um de nós.
Se acaso, Ele,
Condescendentemente,
Nos atendesse, como seria
Ou como O veríamos.
Pelo que se diz,
Ou que se sabe
É espírito
E assim não teria
Aparência física.
Desse modo, se adquirisse
Uma forma qualquer
Já não seria Ele
Na sua essência
E continuaríamos
Querendo conhecê-Lo.
O Criador é muitíssimo
Grande e assaz poderosíssimo,
A tal ponto de alguns
Chamarem-nO: Pancreator.
Confundem-nO até com
A Natureza ou com o Universo
E, entretanto, Ele tem,
Por lógica, de transcendê-los
Porque: o criador é maior que a criatura.
Então, um Ser de dimensões desconhecidas,
De incomensuráveis poderes e de saberes infinitos
Não poderia ser visto,
Nem Se submeteria
Aos nossos caprichos.
Rest-nos depreender
Pelo que vemos ao
Nosso derredor,
Inclusive no firmamento,
Que Ele exista.
Também entendemos
Que Ele não seja o sol,
Nem a natureza e nem
A água, apesar de que,
Comparações possíveis
E até mesmo metáforas cabíveis.
Por fim, mas não por derradeiro,
Resta-nos o homem Jesus Cristo
Que no seu tempo se disse Deus.
Este a gente pode aproximar-se d'Ele.
Examiná-lO. Dissecá-lO. E entendê-lO.
Foi Ele mesmo quem disse:
"Quem a mim vê, vê o Pai."

Goiânia - 30/12/03

Tuesday, August 15, 2006

11 de Setembro

Haveria de haver essa data,
Relevantemente, marcada
Nos nossos dias e nas nossas almas.
Como refugá-la, como olvidá-la,
Como esquecê-la ou como não sabê-la!
Foi aquele dia, aquela hora,
E aqueles momentos
Em que todos choramos,
Simultâneos, solidários e impotentes.
Lágrimas amargas, escancaradas e misteriosas
Cujo travor apegou-se ao nosso palato
Emudecendo-nos, perdidos e abobalhados,
Entre a realidade e a fantasia.
Na ubiquidade televisiva,
Por todos seus canais, ao vivo,
As agressões ao World Trade Center.
As pulverizações das torres gemelares
E a população do Planeta atônita.
Como nos jornais de cinema, de ontem,
De cinquenta anos atrás: As imagens reais,
De fatos verdadeiros, testemunhas da história.
Com a avassaladora parafernália eletrônica
A alimentar nossa expectante participação:
A repetir, gravar, congelar e reenfocar
As visões, os fantasmas, as fantasias da dura realidade,
Dos analistas, dos profetas e do fim do mundo.
Ali, na nossa frente, o pesadelo,
O inesperado, a hecatombe
De tragédias sobre tragédias,
Repetindo em grau insuportável,
O gerúndio e o supino da maldade,
Extravasada e manifesta com tanta dor
Desde o pequenino ao velho cidadão.
Desde o cidadão anônimo aos filhos da Pátria.
Desde os filhos dos povos, dos povos e das gentes.
Das gentes e das gentalhas. Das gentalhas e dos sem direitos.
Dos sem direitos e dos sem deveres. Dos sem deveres e dos devedores.
Dos devedores e dos seus senhores. Dos seus senhores e das suas maldades.
Das suas maldade e das nossas calamidades. Das nossas calamidades
E das calamidades nossas. Nossas, muito nossas:
Ca-la-mi-da-des! Ca-la-mi-da-des... Oh, Deus!

Goiânia - 11/09/2001

Quem de Direito e de Fato

Pelos meus setenta anos
Esses momentos, essa festa, nós.
Sob certo aspecto,
O gáudio ao vencedor do tempo,
Ao herói que, inteiro, adentra
Ao anfiteatro para os louros
E as ovações.
Impõe-se-me
Nesses instantes de alegria
O correto pensamento
De que não sou ninguém
E nem deveria estar aqui
Como se merecedor
De tamanha pajelança
E de tantos saracoteios,
Por nada.
Ocorre-se-me
Que a festa está
Dirigida à consequência
E jamais à causa.
Podem acreditar
Não dependeu de mim
Estar aqui, hoje e agora.
Apesar de que eu seja, como todos,
O espermatozóide que deu certo
E o grande vencedor
A festa não deve ser para mim,
Nem para meus pais.
Sou a oportunidade incompreensível
E a chance inescrutável
Que o Criador determinou para a vida.
A festa, a solenidade do momento,
A grandeza é para Ele,
O meu Deus.
Aquele que, realmente, fez-me
No seio de uma linda família,
No meio de um grande povo,
Nos braços amigos de tantos
E na graça repetitiva, presente,
E misericordiosamente supina
De Nosso Senhor Jesus Cristo.

Goiânia - Outubro/2003

Thursday, August 03, 2006

A Propósito dessa Comemoração

Para Marizete e Adolfo Martins
Nas bodas de trinta e cinco anos,
Com carinho, Josué Mota. 04/12/03

Três substantivos abstratos
São fundamentais
Para se viver.
A congruência deles
No nosso íntimo
Leva-nos cada vez mais perto
Dos nossos objetivos.
Paulo, o apóstolo, os extraiu
E os ordenou com maestria
Alinhavando-os, entre si,
No mapa qualitativo
De nossa peregrinação.

O primeiro deles é a Fé.
E ninguém duvide que esse vocábulo,
Posto que pequeno, guarde em si mesmo
Expressões polarizadoras e explosivas.
Pela fé nas narrativas cremos que os portugueses
Descobriram o Brasil e que sejamos seus filhos.
Pela fé acreditamos no átomo, que não vemos,
Nas termonucleares e nos infernos de Hiroshima e Nagasaki.
E, ainda, pela fé entendemos
Que a mecânica universal, incluída a terra,
Decorre dentro de uma ordem científica
Estabelecida pela vontade do Criador.

A fé abre os portais da esperança,
O segundo substantivo abstrato.
A fé nos conduz aos sonhos
Formulados enquanto ainda não.
E o tempo, enquanto-ainda-não,
Se chama, simplesmente, esperança.
Fantasiamos, criamos, nos encorajamos
E partimos movidos pelo combustível misto,
Sincrético e divino: Fé e Esperança.
Inadmissível partirmos sem fé,
Impossível prosseguirmos sem esperança.
Fé e esperança são, pois, qualidades íntimas
E binômios de qualquer projeto de vida.

E o terceiro é o Amor.
Poderia calar nesse ponto
Porque dele todo mundo entende.
Mas o amor que vejo é o amor maior.
Aquele além das pessoas e das coisas.
E mais ainda, muito mais, é aquele
Em todos nossos projetos, nossos sonhos,
Nossos arranques, nossas crises, nossas chegadas.
Aquele que apascentou e viabilizou o momento impossível
Mesmo que nós o ignorássemos e dele não soubéssemos.
Sim aquele amor além do amor que temos e que cremos,
Ao qual, alguns chamam de Deus e outros chamam de nada.

As Nossas Castanheiras


Às nossas Castanheiras,
Pelo dia das mães.
Goiânia, 09/05/04.
Josué Mota

Há muito descansamos
Nas dimensões humanas
E sobre-humanas de ribeiros;
Em cujas margens seculares
Nos abeberamos por águas
Graciosas, cantantes,
Ruidosas e refrescantes.
Águas doces
Nascidas das rochas
Entremeadas pelas profundas raízes
De ancestrais castanheiros.
Nos associamos em família
E nos intrometemos na
Genérica e prazenteira
Harmonia pela força
Irrecusável do amor.
Constituímos, hoje,
Uma comunidade especial
Vivendo à sombra
Desse imenso castanhal
E sob as frondes
Bonançosas de nossas
Próprias companheiras,
As nossas Castanheiras.
Participamos da natureza
E de suas naturezas:
Às vezes, parasitários,
Quais pássaros e outras,
Quais corós, predadores
De suas castanhas.
Às vezes, fecundantes
Zangãos, outras vezes,
Casuais plantadores
Que se alimentam
De seus doces mesocarpos,
Epicarpos e endocarpos.
Somos seus e elas
São nossas respectivas
E recíprocas companheiras.
Mães de nossos filhos,
Nossas filhas
E, também, nossas mães
Tanto pelos cuidados maternais
Quanto pelas divinas vocações.
Hoje, dia especial,
Dedicado à mulher-mãe,
Gritemos nossos vivas
Às nossas Castanheiras;
Saudemo-las e exaltemo-las
Pelo precioso exercício
Desse misterioso e divino
Dom de Deus.